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Psicóloga para idosos: saúde mental, bem-estar e novas possibilidades depois dos 60

Psicóloga Bruna Fialho em seu consultório, ao lado de livros e computador.

Sou Bruna Fialho, atuo como psicóloga para idosos e uma das questões que encontro com frequência no consultório é a ideia de que determinadas mudanças emocionais são simplesmente consequência da idade.

“É a idade chegando.”

“Depois de certa idade é assim mesmo.”

“Não tenho mais ânimo para as coisas.”

Essas frases podem parecer naturais, mas nem sempre contam a história completa.

Tristeza persistente, isolamento, perda de interesse pelas atividades, solidão, estresse, ansiedade ou medo excessivo não precisam ser encarados como uma parte inevitável do envelhecimento. Muitas vezes, existem experiências, pensamentos, crenças e dificuldades emocionais que precisam ser compreendidos e podem ser trabalhados em psicoterapia.

Depois dos 60, cuidar da saúde mental também pode significar redescobrir interesses, fortalecer vínculos, compreender melhor a própria história e abrir espaço para novas possibilidades de vida.

O que pode levar uma pessoa idosa a procurar psicoterapia?

Cada pessoa envelhece de uma maneira diferente. Não existe uma experiência única de envelhecimento.

Algumas pessoas procuram a terapia depois de uma perda importante. Outras começam a perceber que estão se isolando, evitando situações que antes faziam parte de sua rotina ou deixando de fazer coisas de que gostavam.

Também podem aparecer dificuldades relacionadas à aposentadoria, mudanças familiares, problemas de saúde, autoestima, solidão, conflitos nos relacionamentos ou receio em relação ao futuro.

Depressão e ansiedade também merecem atenção. Elas estão entre os problemas de saúde mental que podem ocorrer na maturidade e seus sinais não devem ser confundidos automaticamente com o envelhecimento.

Uma pessoa com depressão, por exemplo, pode apresentar tristeza persistente, perda de interesse ou prazer, alterações no sono ou no apetite, cansaço, desesperança ou dificuldade para realizar atividades que antes faziam parte de sua vida.

Na ansiedade, podem aparecer preocupação excessiva, antecipação constante de problemas, medo, tensão ou comportamentos de evitação.

Mas nem sempre a pessoa chega ao consultório dizendo “estou deprimida” ou “estou ansiosa”.

Às vezes, ela simplesmente percebe que sua rotina e sua forma de viver já não são como antes.

Sai menos.

Encontra menos pessoas.

Abandona atividades.

Tem medo de que algo aconteça.

Ou começa a acreditar que determinadas possibilidades já não existem mais para ela.

É justamente aí que compreender o que está acontecendo faz diferença.

Pensamentos não são necessariamente fatos

Uma parte importante do meu trabalho é ajudar a pessoa a perceber a relação entre aquilo que acontece, o que ela pensa, o que sente e como passa a agir diante dessas situações.

Imagine alguém que recebe um convite para encontrar amigos e pensa:

“Não tenho mais nada interessante para conversar.”

Esse pensamento pode provocar tristeza, vergonha ou insegurança. Como consequência, a pessoa decide não ir.

Em outra situação, alguém que passou por um problema de saúde pode começar a se perceber de forma diferente, sentir mudanças na autoestima ou ficar mais inseguro em relação ao próprio corpo e à sua autonomia.

Pensamentos como “não sou mais a mesma pessoa”, “não consigo mais fazer as coisas como antes” ou “as pessoas vão perceber que estou diferente” podem aumentar a tristeza, a insegurança e a vontade de evitar determinadas situações.

Também pode surgir o pensamento:

“Se eu sair de casa, alguma coisa ruim vai acontecer e eu não vou conseguir lidar com isso.”

O medo sentido naquele momento é real.

Isso é muito importante: as emoções são reais e precisam ser acolhidas.

Mas sentir medo não significa que aquilo que estamos pensando vai acontecer.

Da mesma forma, sentir tristeza diante do pensamento “não sou mais importante para ninguém” não significa que esse pensamento corresponda à realidade.

Na psicoterapia, podemos aprender a observar esses pensamentos com mais cuidado.

O que me faz pensar dessa maneira?

Existem fatos que confirmam isso?

Existem fatos que mostram outra possibilidade?

Estou olhando para a situação inteira ou apenas para uma parte dela?

Existe outra maneira de interpretar o que aconteceu?

O objetivo não é simplesmente “pensar positivo”. É construir uma compreensão mais realista, equilibrada e gentil da própria experiência.

Algumas crenças podem acompanhar uma pessoa durante muitos anos

Além dos pensamentos que aparecem no cotidiano, existem crenças mais profundas que construímos ao longo da vida.

Elas podem estar relacionadas à maneira como enxergamos a nós mesmos, as outras pessoas e o futuro.

Uma pessoa pode carregar pensamentos como:

“Preciso resolver tudo sozinha.”

“Não posso dar trabalho para ninguém.”

“Se eu precisar de ajuda, significa que sou fraca.”

“Depois de certa idade não adianta começar nada.”

“As pessoas não têm mais interesse em mim.”

“Minha melhor fase já passou.”

Essas ideias podem ter sido construídas a partir de experiências vividas durante muitos anos e, justamente por serem antigas, podem parecer verdades absolutas.

Na terapia, elas podem ser compreendidas e examinadas com cuidado.

Compreender essas crenças pode modificar não apenas a maneira de pensar, mas também a maneira de se relacionar, fazer escolhas e viver o presente.

Quando o isolamento começa a ocupar espaço demais

O isolamento pode ter muitas origens.

Depois da perda de alguém importante, por exemplo, algumas pessoas deixam de participar de atividades que faziam parte da vida do casal. Outras podem sentir culpa quando começam a experimentar novamente momentos de prazer.

Também existem pessoas que passam a evitar encontros porque não se sentem bem com a própria aparência ou porque acreditam que serão julgadas.

Aos poucos, a pessoa pode deixar de encontrar amigos, caminhar, viajar, frequentar determinados lugares ou realizar pequenas atividades que antes proporcionavam prazer.

Quanto menos a pessoa sai de casa ou convive com outras pessoas, menores podem ser as oportunidades de experimentar satisfação, autonomia, contato social e novas experiências.

Por isso, dependendo das necessidades de cada pessoa, o trabalho terapêutico também pode envolver uma retomada gradual de atividades significativas, respeitando seus limites, interesses e momento de vida.

Como funciona o meu atendimento

Cada pessoa chega à terapia com uma história única.

Por isso, procuro compreender o que aquela pessoa está vivendo, quais situações estão causando sofrimento, quais pensamentos aparecem nesses momentos, como ela se sente e de que maneira tudo isso interfere em sua rotina e em seus relacionamentos.

Também podemos observar crenças negativas construídas ao longo da vida, identificar os pensamentos que surgem em determinadas situações e compreender como eles influenciam a forma como a pessoa se sente e age.

A partir disso, podemos analisar esses pensamentos com mais cuidado, verificar se fazem sentido diante dos fatos e buscar maneiras mais equilibradas de compreender a situação.

Em alguns momentos, o trabalho pode envolver autoestima, ansiedade, depressão, luto, relacionamentos, mudanças de vida ou medo relacionado à saúde.

Em outros, pode envolver autoconhecimento para compreender a si mesma e viver essa fase da vida com mais qualidade e bem-estar.

Quando faz sentido para a pessoa, também podem ser utilizadas atividades de estimulação cognitiva, sempre considerando seus interesses e necessidades.

O mais importante é que o cuidado seja construído de maneira individualizada, respeitando a história, as escolhas, os valores e o ritmo de cada pessoa.

Depois dos 60 ainda existem novas possibilidades

Envelhecer envolve mudanças. Algumas são desejadas, outras exigem adaptações e existem também aquelas que podem ser dolorosas.

Mas a maturidade não precisa ser definida apenas pelas perdas.

Depois dos 60 ainda existem relações para construir ou fortalecer, interesses para descobrir, lugares para conhecer, decisões para tomar, aprendizados, projetos e diferentes maneiras de cuidar de si.

Às vezes, a mudança começa com algo pequeno.

Retomar uma atividade.

Voltar a encontrar alguém.

Aprender algo novo.

Entender por que determinada situação provoca tanto medo.

Questionar uma crença que acompanhou a pessoa durante décadas.

Ou simplesmente perceber que aquilo que parecia uma verdade sobre si mesma talvez seja apenas uma forma de compreender a própria história.

A psicoterapia não apaga experiências difíceis nem transforma todos os problemas em pensamentos positivos. Ela pode ajudar a compreender melhor o que estamos vivendo, reconhecer aquilo que sentimos e encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com pensamentos, emoções, comportamentos e relacionamentos.

Buscar uma psicóloga para idosos também pode ser uma forma de cuidar do presente e abrir espaço para viver os próximos anos com mais consciência, autonomia, bem-estar e novas possibilidades.