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Depressão: entenda os sinais e saiba quando buscar ajuda

Mulher de cabelos grisalhos no sofá com mãos no rosto e olhos fechados.

1. O que é depressão?

A depressão é um transtorno mental que pode surgir em qualquer fase da vida. Ela se apresenta de diferentes formas e envolve um conjunto de sintomas persistentes, que podem causar sofrimento e afetar a rotina, os relacionamentos e outras áreas importantes.

Sentir tristeza, por si só, não significa estar com depressão. A tristeza faz parte da vida e pode surgir após uma perda, uma decepção, uma mudança ou outra situação difícil. Ela pode causar sofrimento e até afetar a rotina, mas costuma estar relacionada ao momento vivido e, com o tempo, pode diminuir.

Na depressão, a tristeza ou o desânimo podem estar presentes, mas costumam aparecer acompanhados de outros sintomas, como menos interesse ou prazer nas atividades, cansaço, alterações no sono ou no apetite e dificuldade de concentração. Em conjunto, esses sintomas podem interferir de maneira significativa na vida da pessoa.

Alguns fatores podem estar associados a um maior risco de depressão, como:

  • histórico de depressão na família.

  • perdas ou experiências difíceis.

  • problemas de saúde.

  • estresse prolongado.

  • dificuldades familiares ou financeiras.

  • mudanças na rotina, nos relacionamentos ou na vida profissional.

  • uso excessivo de álcool ou outras substâncias.

  • solidão e falta de apoio.

A presença de um ou mais desses fatores não significa que a pessoa terá depressão. No entanto, eles merecem atenção quando começam a afetar o bem-estar e a rotina.

Depressão não é preguiça, fraqueza ou falta de força de vontade. É uma condição de saúde que precisa ser compreendida e tratada com respeito.

2. Quais são os principais sinais e sintomas?

A depressão não se apresenta da mesma maneira em todas as pessoas. Entre os sintomas considerados na avaliação estão:

  • humor deprimido, como tristeza, sensação de vazio ou desesperança, na maior parte do dia, quase todos os dias.

  • redução acentuada do interesse ou prazer em atividades.

  • alterações no apetite ou no peso.

  • alterações no sono, como dormir menos ou mais do que o habitual.

  • agitação ou lentificação dos movimentos.

  • cansaço ou falta de energia.

  • sentimentos de desvalorização ou culpa excessiva.

  • dificuldade para pensar, se concentrar ou tomar decisões.

  • pensamentos recorrentes sobre morte ou sobre não querer mais viver.

A presença de um ou mais desses sintomas não significa, por si só, que a pessoa esteja com depressão. Na avaliação profissional, são considerados diferentes critérios, entre eles a presença de cinco ou mais sintomas durante o mesmo período de duas semanas, representando uma mudança em relação ao funcionamento habitual. Pelo menos um deles deve ser humor deprimido ou perda de interesse ou prazer. Também são considerados o sofrimento causado pelos sintomas, seus impactos na vida da pessoa e outras possíveis explicações para o quadro. Por isso, esses critérios não devem ser usados isoladamente para autodiagnóstico.

3. Como a depressão pode se apresentar em idosos

Em pessoas idosas, a depressão pode se apresentar de diferentes formas. Nem sempre a tristeza é o sintoma que mais chama atenção. Algumas pessoas podem apresentar principalmente sintomas físicos, como dores, cansaço e alterações no sono, além de perda de interesse pelas atividades, lentificação e, em alguns casos, dificuldades de memória ou concentração.

Alguns sinais podem ser confundidos com problemas de saúde física ou até considerados “coisas da idade”, fazendo com que o sofrimento passe despercebido.

Por isso, mudanças persistentes de humor, energia ou comportamento em pessoas idosas não devem ser encaradas simplesmente como parte natural do envelhecer. Elas merecem atenção e avaliação profissional.

Alguns fatores podem estar associados a maior vulnerabilidade à depressão em idosos, como:

  • perdas de pessoas próximas, como cônjuge, irmãos ou amigos.

  • solidão e isolamento social, que podem estar relacionados a mudanças na rede de relacionamentos, aposentadoria ou redução da mobilidade.

  • doenças crônicas, dor persistente e limitações funcionais.

  • uso de vários medicamentos ao mesmo tempo, especialmente quando algum deles provoca efeitos adversos que podem se confundir com sintomas depressivos.

  • uso problemático de álcool ou outras substâncias.

  • perda de autonomia ou receio de depender de outras pessoas.

  • mudanças no papel social, nas condições financeiras ou no senso de propósito após a aposentadoria.

  • histórico pessoal ou familiar de depressão.

Esses fatores não significam que uma pessoa necessariamente desenvolverá depressão. Eles podem aumentar a vulnerabilidade, especialmente quando estão associados a outros fatores psicológicos, sociais ou de saúde.

4. Tratamento e cuidados na depressão

Quando os sintomas persistem ou começam a interferir na rotina, uma avaliação profissional pode ajudar a compreender o que está acontecendo e a definir os cuidados mais adequados para cada situação.

O tratamento pode incluir psicoterapia, acompanhamento médico e, quando indicado, uso de medicamentos. A escolha dependerá das necessidades de cada pessoa e da intensidade dos sintomas.

A psicoterapia pode ajudar a:

  • compreender melhor o que está sentindo.

  • perceber pensamentos que aumentam o sofrimento.

  • encontrar novas maneiras de lidar com os problemas.

  • retomar atividades importantes aos poucos.

  • fortalecer vínculos.

  • organizar uma rotina com mais equilíbrio e bem-estar.

A prática de atividades físicas, uma alimentação adequada, o sono regular, os momentos de lazer e a convivência com pessoas que oferecem apoio também podem contribuir para a recuperação. Esses cuidados, porém, não substituem o acompanhamento profissional quando existe depressão.

5. Tratamento e apoio fazem diferença

A depressão tem tratamento, e o acompanhamento adequado pode ajudar a reduzir os sintomas e favorecer a retomada gradual das atividades.

Buscar ajuda não significa fraqueza ou falta de capacidade para lidar com os problemas. É uma forma de cuidado e de acolher o que você está sentindo.

Se você ou alguém que você conhece estiver passando por um momento de sofrimento emocional e sentir necessidade de conversar, o Centro de Valorização da Vida oferece apoio gratuito e confidencial. O telefone 188 funciona 24 horas por dia, e o atendimento por chat está disponível nos horários informados no site do CVV.

Em uma situação de emergência, quando houver risco imediato à vida ou à integridade da pessoa ou de terceiros, procure um serviço de emergência.

Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed., texto revisado. Porto Alegre: Artmed, 2022.

BRAGA, Daniela Tusi; VIVAN, Analise de Souza; PASSOS, Ives Cavalcante. Vencendo a depressão: manual de terapia cognitivo-comportamental para pacientes e terapeutas. Porto Alegre: Artmed, 2024.

GONÇALVES, Daniella et al. Sintomas somáticos, sintomatologia depressiva e ansiógena em pessoas idosas. Psicologia, Saúde & Doenças, Lisboa, v. 21, n. 1, p. 131-136, 2020. DOI: 10.15309/20psd210120.

TREVISAN, Frederico Kochen et al. Prevalence of depressive symptoms and associated factors in Brazilian older adults: 2019 Brazilian National Health Survey. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 40, n. 12, e00006124, 2024. DOI: 10.1590/0102-311XEN006124.