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Ansiedade e envelhecimento: entenda os sinais e sintomas e como reduzir seus impactos

Mulher madura no sofá com expressão preocupada e mãos junto ao queixo.

O que é a ansiedade?

A ansiedade é uma emoção natural que faz parte da experiência humana e pode aparecer em diferentes momentos da vida. Geralmente, está relacionada à antecipação de uma possível ameaça ou à preocupação com algo que ainda vai acontecer, como uma viagem, uma consulta médica ou uma mudança importante na rotina.

Muitas vezes, não é apenas a situação em si que provoca ansiedade, mas a forma como interpretamos o que pode acontecer. Por isso, duas pessoas podem viver a mesma experiência e sentir níveis de ansiedade bem diferentes.

O que importa observar é a intensidade, a duração e o impacto que a ansiedade causa na vida de cada um. Quando ela se torna persistente ou desproporcional à situação e passa a interferir na rotina, pode ser o momento de buscar apoio profissional.

Já os transtornos de ansiedade, segundo o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), têm em comum um medo ou uma ansiedade em grau excessivo, junto com mudanças no comportamento que decorrem disso. Esse medo pode surgir diante de uma ameaça real ou percebida. Entre os principais estão o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno de ansiedade social (fobia social), a fobia específica, a agorafobia e o transtorno do pânico. Cada um apresenta características próprias, mas, de modo geral, envolve medo ou ansiedade excessivos que podem persistir e interferir na vida da pessoa.

Fatores que podem contribuir para a ansiedade em idosos

Com o passar dos anos, a vida costuma trazer uma série de mudanças que podem intensificar a ansiedade ou revelar uma dificuldade que já existia de forma mais discreta. Aposentadoria, filhos que saem de casa, cuidado com pais idosos, perdas de pessoas próximas, alterações hormonais e mudanças na rotina são vivências comuns nesse momento da vida e podem funcionar como gatilhos importantes.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), depressão e ansiedade estão entre as condições de saúde mental mais comuns entre pessoas mais velhas e, muitas vezes, não são reconhecidas ou tratadas adequadamente, em parte pelo estigma que ainda existe em torno do tema.

Vale reforçar um ponto importante: sentir mais ansiedade não é uma consequência inevitável de envelhecer. Ansiedade e depressão não são “normais” da idade, embora possam ocorrer nessa fase. Elas merecem cuidado e tratamento como em qualquer outro momento da vida.

A ansiedade também pode causar sintomas físicos, como palpitação, tontura ou desconforto digestivo. Em pessoas mais velhas, esses sintomas podem dificultar o reconhecimento da ansiedade, especialmente quando existem outras condições de saúde.

Sinais e sintomas de ansiedade

Entre os sinais e sintomas que podem aparecer na ansiedade estão:

  • preocupação frequente ou difícil de controlar.

  • sensação frequente de que algo ruim pode acontecer.

  • dificuldade para relaxar, dormir ou se concentrar.

  • irritação, inquietação ou tensão.

  • coração acelerado, falta de ar, tremores, suor ou tontura.

  • tensão muscular, dor de cabeça ou desconforto no estômago.

  • momentos repentinos de medo intenso ou sensação de perder o controle.

  • medo de sair sozinho ou de ficar em lugares onde pareça difícil ir embora ou pedir ajuda.

  • medo de conversar ou participar de situações sociais por receio de ser observado ou julgado.

  • deixar de realizar atividades importantes por medo ou preocupação.

Ao longo do envelhecimento, também podem surgir sinais como:

  • medo intenso de cair, mesmo sem uma queda recente, o que pode levar a evitar caminhar ou sair de casa.

  • preocupação excessiva com a própria saúde ou com pequenos esquecimentos do dia a dia.

  • receio constante de passar mal longe de casa ou de não conseguir ajuda a tempo.

Alguns desses sintomas também podem estar relacionados a outras condições de saúde. Sintomas como dor no peito, falta de ar intensa ou desmaio sempre precisam de avaliação médica antes de qualquer outra conclusão.

O que pode ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade?

Alguns cuidados podem contribuir para reduzir os sintomas de ansiedade e melhorar o bem-estar:

  • Organizar a rotina: anotar compromissos em uma agenda, definir prioridades e realizar uma atividade de cada vez ajuda a diminuir a sensação de sobrecarga.

  • Praticar atividade física: caminhar, dançar, nadar, pedalar, alongar-se ou fazer exercícios de força e equilíbrio, respeitando os limites do corpo.

  • Fazer exercícios de respiração: técnicas como a respiração diafragmática podem ajudar a reduzir a tensão e favorecer o relaxamento.

  • Praticar técnicas de relaxamento: o relaxamento muscular progressivo pode ajudar a diminuir a tensão física.

  • Praticar meditação ou atenção plena: voltar a atenção para o momento presente pode ajudar a observar pensamentos e emoções com mais consciência.

  • Cuidar do sono: manter horários regulares e reduzir estímulos antes de dormir favorece o descanso.

  • Manter a vida social ativa: segundo a OMS, a solidão e o isolamento social podem afetar significativamente a saúde mental de pessoas idosas. Manter contato com amigos, familiares ou grupos de convivência pode contribuir para o bem-estar emocional.

  • Observar o consumo de estimulantes: café, chá-mate e energéticos podem aumentar a agitação e prejudicar o sono em algumas pessoas.

  • Conversar com alguém próximo: compartilhar preocupações com um amigo ou familiar pode oferecer apoio e acolhimento.

  • Diminuir o excesso de notícias e redes sociais: limitar a exposição a conteúdos que aumentam a preocupação pode ajudar a preservar o bem-estar.

Quando e como buscar ajuda

A psicoterapia, especialmente abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, ajuda a compreender os pensamentos, os medos e as situações que aumentam a ansiedade. Durante as sessões, é possível aprender estratégias para lidar com situações difíceis, rever crenças negativas e retomar atividades que foram evitadas ou deixadas de lado.

Em alguns casos, medicamentos também podem ser indicados por um médico, após avaliação individual. O tratamento deve considerar os sintomas, o histórico de saúde e as necessidades de cada pessoa, especialmente quando há outras condições clínicas.

Buscar ajuda é importante quando a ansiedade causa sofrimento frequente ou faz com que você deixe de sair, encontrar pessoas ou realizar atividades importantes. Não é preciso esperar a ansiedade se tornar insuportável para procurar apoio.

Pedir ajuda é uma forma de cuidado, em qualquer idade. Com apoio adequado, é possível compreender melhor a ansiedade, aprender a lidar com ela e viver com mais equilíbrio e bem-estar.

Referências

American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Artmed, 2023.

Rodrigues, W. S., & Neufeld, C. B. Entendendo a ansiedade com a Terapia Cognitivo-Comportamental: um guia para terapeutas [Cartilha Digital]. Artmed, 2021.

Organização Mundial da Saúde. “Mental health of older adults”. 2026.